Arquivo mensal: julho 2013

A hora de largar a chupeta

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O efeito calmante da chupeta e sua função de “muleta emocional” para as crianças, deixa muitos pais receosos na intervenção deste hábito.

Cada criança tem seu momento. Às vezes a chupeta também ajuda a criança a aliviar o estresse ou a se adaptar a situações novas e desafiadoras, como começar a ir à creche ou escolinha. Então devemos respeitar a necessidade de sucção de cada um e o momento que ele está vivendo.

No entanto, uma hora a criança precisa parar de chupar chupeta, pois isso pode comprometer seu desenvolvimento. Estudos nos mostram, que o ideal é que seja até os 3 anos. E é neste momento que os pais não sabem o que fazer para conseguir acalmar o pequeno sem o pacificador, que, aliás, é a tradução literal do nome da chupeta na língua inglesa.

A medida que a criança vai crescendo é imporatante que os pais estimulem atitudes com um pouquinho mais de independência, tarefas que ele consiga cumprir, para que a auto confiança aflore. Pois quando a criança se sente segura o processo é gradativo e mais natural.

Um ponto importantíssimo é o dialogo entre você e seu filho desde sempre. Nunca subestime a capacidade da criança em entender o que você irá explicar. Conversem com frequência sobre a chupeta, peça que ele te conte porque ele gosta, ou na hora que ele pedir pergunte porque ele quer a chupeta agora… E assim os pais acabam descobrindo os “reais motivos da sucção”(ex: fome, medo, sono, tédio, timidez, insegurança) Aí, fica mais fácil driblar estes momentos.

O processo de retirada da chupeta tem que ser iniciado pela mente dos pais.  E isso só acontece com informação. Pais bem informados e orientados se sentirão mais seguros. Peça ajuda ao pediatra, odontopediatra, psicólogo e pedagogo. Leia sobre o tema, e tenha claro os prós e os contras da chupeta.

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Os pais precisam estar convencidos de que essa é a melhor decisão para seus filhos naquele momento (se nao estiverem convencidos disso é melhor nem começar o processo), pois depois de iniciado, não devem voltar atrás com os apelos das crianças.

Cuidado para nao supervalorizar uma situação exagerando na preocupação. É apenas mais uma fase que vai passar pela adaptação e depois, vida que segue. Tudo que seu filho precisa neste momento é de amor, carinho, e muita atenção para se sentir seguro.

Aí vão algumas dicas:

  • Tente desvincular as ações divertidas das crianças ao uso da chupeta. “Se estiverem brincando, não há necessidade de usar a chupeta.
  • Converse com seu filho, da maneira mais clara e tranquila possível, sobre como é preciso largar a chupeta e explique os prejuízos que ele terá com esse hábito. (procure fotos na internet para mostrar, leia pra ele livrinhos sobre o tema)
  • Reforce a idéia de que crianças mais velhas não usam chupeta — elas adoram se sentir mais crescidas.
  • Converse com outros pais para saber que estratégias eles usaram
  • Há quem faça, por exemplo, um furinho na chupeta, prejudicando a sucção, e diga ao filho que a chupeta “estragou”. A chupeta furada fica menos prazeirosa, e as vezes perde a graça.
  • mude um pouco a rotina do dormir : anuncie uma mudança (um bichinho novo, a mudança de berço para cama, um novo hábito, de ouvir música ou contar histórias de um livro, por exemplo), e explique que na nova rotina — de criança grande — não há espaço para a chupeta. O entusiasmo com a novidade pode ajudar.
  • Se a criança está conversando com a chupeta na boca, diga que você nao está entendendo, e pessa para ela tirar para ser mais clara.  Até porque seu filho está aprendendo a falar, e fazer isso com uma chupeta na boca pode atrapalhar o processo, alterando o modo como os sons são pronunciados e forçando a língua a descansar numa posição pouco natural.
  • Para encorajar seu filho, elogie quando ele conseguir ficar sem a chupeta.
  • Você também pode controlar o uso da chupeta, e deixar que ele a use só à noite ou na hora do cochilo. E procure não oferecer a chupeta. Se ele não pedir, não dê! Para que assim, a criança vá se condicionando.
  • Identifique os sinais de que seu filho está pronto para largar a chupeta e aproveite o momento. Para ajuda-lo e incentive-lo.

Seja muito presente na vida do seu pequeno para acompanhar esse processo com paciência e firmeza.

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Chupeta: Prós e contras

chupetas no varal

Esse é um tema bastante polêmico, entre os pais, pediatras, odontopediatras e as crianças!

No consultório todos os dias eu, os papais e os pequenos conversamos sobre isso.

Então porque não listar os prós e os contras do uso da chupeta?

 Destacam-se como possíveis “prós” de sua utilização:

1 – trata-se de um calmante imediato do choro;

2 – A sucção também pode representar um mecanismo para descarregar as energia e tensão, servindo de fonte de prazer e segurança

3 – alguns estudos evidenciaram possível efeito protetor contra morte súbita, desde que seja introduzida após a terceira semana de vida ou com a amamentação já estabelecida e utilizada apenas durante o sono (recomendação oficial da Academia Americana de Pediatria – AAP).

Por outro lado, temos muitos “contras” para comentar sobre a utilização da chupeta.

1 – Inúmeros estudos mostram que a chupeta está sempre associada com um tempo menor de duração do Aleitamento Materno e que a mesma acaba por ser um indicador de dificuldades da amamentação. Este fato acabou sendo decisivo para que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) optassem como recomendação oficial de não utilizar bicos e chupetas desde o nascimento, pois o tempo de duração do aleitamento materno influi diretamente na saúde do bebê e da mãe, quanto mais tempo amamentar, mais saúde para ambos. Esta orientação é compartilhada pelo Ministério da Saúde do Brasil que desde 1990 optou pela implantação da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que tem como regra (nono passo – o sucesso da amamentação) a não utilização de bicos, mamadeiras e chupetas em alojamento conjunto.

2 – Com relação a acalmar, temos uma linha de psicólogos que discordam desta forma de acalmar, pois temos inúmeras maneiras de acalmar um bebê (carinho, colo, cantar, amamentar, etc.) sem a necessidade de utilização de um artifício que traz malefícios para a saúde do bebê. Orientam ainda que quando uma criança começa a introduzir o dedo na boca, temos que dar uma função para as mãos, desta forma, entrega-se brinquedos adequados para a idade para que a distração seja direcionada em outro sentido. Claro que a criança poderá levar este brinquedo à boca (mordedores, por exemplo), mas isto não leva a vícios. Portanto não “vicia” em chupeta e nem no dedo.

3 – Outros estudos apresentam efeitos prejudiciais do uso da chupeta com relação à oclusão dentária, levando à deformação na arcada dentária e problemas na mastigação, além de atrasos na linguagem oral, problemas na fala e emocionais. O risco de má oclusão dentária em crianças que utilizam chupetas pode chegar a duas vezes em relação aos que não usam.

4 – Temos ainda prejuízos respiratórios importantes, levando a uma expiração prolongada, reduzindo a saturação de oxigênio e a frequência respiratória. A respiração acaba ficando mais frequente pela boca (respiração oral), o que piora a elevação do palato (céu da boca), diminuindo o espaço aéreo dos seios da face e provocando desvio do septo nasal. A respiração oral leva à diminuição da produção da saliva, que pode aumentar o risco de cáries. Como a respiração nasal tem a função de aquecer, umidificar e purificar o ar inalado e isto não ocorre de forma adequada na respiração oral, temos maiores chances de irritações da orofaringe, laringe e pulmões, que passam a receber um ar frio, seco e não filtrado adequadamente.

5 – Outras consequências da respiração oral são: as infecções de ouvido, rinites e amigdalites.

6 – O uso de chupetas também está associado a maior chance de candidíase oral (sapinho) e verminoses, já que é quase impossível manter uma chupeta com higiene adequada.

7- Por fim, vale destacar que um estudo de revisão, multidisciplinar, publicado no Jornal de Pediatria em 2009, buscou na literatura prós e contras o uso de chupeta e chegou à conclusão final de que foram encontrados mais efeitos deletérios do que benéficos.

Desta forma, é recomendo que os pais tenham claramente esta visão de “prós e contras” do uso da chupeta, para que, junto ao seu pediatra, possam tomar uma decisão informada quanto a oferecê-la, ou não, aos seus bebês

*A listagem acima, segue as recomendações da Sociedade Brasileita de Pediatria

varios de chupeta

Hábitos de Sucção

chupando pé

No  primeiro ano de vida, a boca é a região mais importante do corpo, e a sucção uma resposta natural própria dos bebês. Registros ultrassonográficos podem mostrar que até mesmo na vida intra- uterina alguns  bebês são flagrados chupando o dedinho

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Essa necessidade fisiológica de sucção do bebê tem como função básica a alimentação, visando a ingestão do leite materno. Mas além de garantir a sobrevivência  a sucção também promove a liberação de endorfina, um hormônio que produz um efeito de modulação da dor, do humor e da ansiedade, provocando uma sensação de prazer e bem-estar ao bebê.

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Uma vez sendo possível ser respeitada a livre demanda, e o bebê podendo mamar sempre que desejar, a amamentação será suficiente sim para satisfazer o desejo básico de sucção, desde que ele esteja mamando exclusivamente no peito.

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É importante enfatizar que a sucção do bebê ao seio materno é completamente diferente e infinitamente mais benéfica do que  sugar o bico de uma mamadeira ou chupeta.

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O porquê desta afirmativa  está no Link: a importância da amamentação

A sucção sem fins alimentares (de nutrição), que chamamos de hábitos de sucção não nutritivos podem acarretar diversas alterações nas estruturas bucais.

O uso prolongado de mamadeiras também, mas como a sucção tem curta duração, os danos tendem a ser menores.

De qualquer forma os pais e o odontopediatra devem se atentar em alguns parâmetros que são importantes, afim de perceber o potencial de ônus no desenvolvimento facial da criança apartir seu padrão de sucção:

Duração: (período de atividade) a criança suga por muito tempo?

Frequência: número de vezes por dia

Intensidade: (grau de atividade dos músculos envolvidos ) é visível o esforço muscular no momento da sucçõao? Faz barulho? Há projeção e retrusão lingual?

Posição : (da chupeta ou do dedo na boca) Frontal? Lateral? Quando suga o polegar o restante da mão fica virado pra cima ou pra baixo?

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Idade : (início e término do hábito) O hábito persiste depois dos 3 anos?

Padrão de crescimento da criança: perfil reto, tendências hereditárias de perfil oclusal

Grau de tonicidade da musculatura bucofacial: selamento labial presente, respiração nasal ou bucal, dorme de boca aberta?

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Saiba mais sobre a cárie

lendo

Como a informação e orientação levam a prevenção, listei alguns aspectos importantes sobre a famosa càrie que precisam ser entendidos:

  • Na dentição decídua (de leite) o processo de lesão cariosa ocorre ainda mais rapidamente que na dentição permanente. Principalmente nos bebês, que a produção de anticorpos salivares é pequena e depois da erupção do dentinho, ele ainda leva aproximadamente 20 meses para se maturar, apresentando então, uma estrutura menos resistente.

barterias e carie

  • A dieta do bebê e das crianças de modo geral, depende dos pais, a criança vai ingerir a dieta oferecida pelos seus responsáveis. Apartir daí estabelece seus hábitos dietéticos por toda a vida. Uma família não orientada quanto ao uso do açúcar, mel, mascavo, entre outros açúcares, constitui um aumento do risco a cárie.
  • A sacarose é o açúcar mais comum na nossa dieta, mas lactose (açúcar do leite) e outros açúcares rapidamente degradados (presentes no mel, xaropes, leite materno) pela placa bacteriana, também são extremamente perigosos se deixados acumulados na superfície dentária.
  • Mesmo se a criança ingeriu só um suco ou refrigerante sem açúcar, o ideal é escovar os dentes depois. Pois nestas situações a saliva apresentará um pH ácido, que ajuda na desmineralização do esmalte. Mamães: acostumem seus filhos a beber água! Ainda mais que hoje em dia temos a água fluoretada ! Só trará benefícios!
  • É preciso ter em mente que ou a placa bacteriana tem que ser removida pela higienização, ou deve haver sua desestruturação via mudança de hábitos alimentares.

processo carie

  • A escovação da noite é a mais importante!Durante o sono, há uma diminuição na produção de saliva. Ela, por sua vez, ajuda no processo de autolimpeza da boca. Menos saliva, menos limpa fica a boca.
  • A incapacidade motora da criança em realizar a remoção da placa adequadamente, os torna dependentes dos responsáveis para remoção da placa de forma eficaz. Muitos pais, para não se indispor com os filhos na hora da escovação, acabam deixando de lado o monitoramento. Mas educação para conscientização da família é essencial no controle da doença.

E mais uma vez ressalto: Prevenir, prevenir e prevenir!

A famosa: Cárie

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Apesar de ser uma vilã amplamente conhecida nas suas causas e consequências, ainda hoje, é a doença que mais atinge a cavidade bucal.

O que é carie?

É uma doença que se caracteriza pela destruição das estruturas dentárias. Apresenta um caráter multifatorial – dependente da dieta, dos hábitos de higiene,  de bactérias, e da resistência imunológica e dentária de cada individuo.

Para falar de cárie temos que entender as estruturas dentárias.Na coroa temos uma parte externa que chamamos de esmalte que é a parte mais resistente por ser mais mineralizada, logo abaixo do esmalte fica a dentina que é menos mineralizada e por isso menos resistente a cárie.

Link: A importância dos dentes de leite tratamento de canal em dente de leite

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Como ela ocorre?

Podemos dizer, que certas bactérias quando se acumulam na superfície dentária, promovem um ataque ácido, dissolvendo assim o mineral presente no esmalte.

Para a produção destes ácidos as bactérias utilizam-se de restos alimentares, principalmente dos carboidratos (pão, salgadinhos, bolachas, cereais e frutas) e alimentos açucarados (chicletes, bala, chocolate, e refrigerantes). Estes ficam grudados na superfície do dente formando a película de biofilme. As bactérias vão se aderindo a esta placa e se alimentando dela. Neste processo, as bactérias produzem um ácido corrosivo ao esmalte dentário.

A cárie sempre se inicia com uma mancha branca na superfície do dente, este é o primeiro sinal da atividade bacteriana. Neste estágio inicial, é possível paralisar o processo desde que haja mudança de hábitos da dieta, melhora na higienização e fluorterapia.

Se não ocorrer a estagnação desta mancha branca, e a atividade da cárie permanecer aguda, a perda de tecido mineral do esmalte pela placa cariogênica supera em velocidade a reposição fisiológica destes minerais pela saliva. Então em um curto espaço de tempo ocorre a destruição da estrutura dentaria, quando podemos observar cavidades. Repito mais uma vez: Curto espaço de tempo! Surpreendendo os pais.

Neste estágio de cavidade, a cárie já ultrapassou o esmalte  e atingiu a dentina (camada menos resistente – por ser menos mineralizada, e que apresenta sensibilidade aos estímulos externos, como doce, gelado e quente.). Sendo então necessário tratamento restaurador o quanto antes, afim de evitar a progressão da lesão e sintomas dolorosos.

Se não tratada, as bactérias podem atingir a polpa dentária. Levando a um quadro inflamatório por infecção. E o tratamento desta lesão mais avaçada é o tratamento endodôntico (canal) ou se o dente tiver perdido muita estrutura , infelizmente sua extração. (Mais informações no link: tratamento de canal em dente de leite?)

estagios carie 2

Os pais devem se manter atentos tanto nos hábitos de higiene quanto na dieta. Acompanhar de perto qualquer sinal de manchas nos dentes para perguntar para o dentista, pois pode ser inicio de carie ou algum defeito no esmalte. Não esperar que seus filhos reclamem de dor para levá-los ao dentista. Na maioria das vezes é possível prevenir ou estagnar a cárie inicial.

Optar pela prevenção é sempre a melhor escolha.