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Reconstruindo o conceito de cárie

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Mudança de conceitos e paradigmas são sempre difíceis! Mas a ciência está aí para nos ajudar com suas novas descobertas não é mesmo?

Claro, que ter uma visão crítica da metodologia e das conclusões dos estudos científicos é importantíssimo. Então o negócio é ler, estudar, contextualizar a informação, aprender, afim de basear a conduta clinica em evidências e na evolução delas.

Sem dúvida os últimos aprendizados com o professor Jaime Cury e com a Professora Branca Heloisa me disseram bem alto: Open your mind!!

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E esta mudança é difícil até mesmo no dia- a- dia do consultório…

Está aí o polêmico caso do flúor que não me deixa mentir! Fazer com que os papais e as mamães entendam que os profissionais agora preconizam assim e não assado, não é tão fácil!

Então nada melhor que usar as palavras destes grandes mestres e resultados de diversos estudos do assunto para promover a informação de forma simples para que as famílias entendam.

Novos conceitos de cárie

Em uma pesquisa sobre transmissão de cárie, cerca de 20% das pessoas questionadas, responderam que sim, cárie pode ser transmitida beijando ou provando a comidinha da criança. Então é importantíssimo esclarecer: cárie não pega!

Vamos deixar de lado a idéia de que carie é uma doença infecciosa e transmissível, e entender que ela é uma disbiose desencadeada pelo açúcar. Porque em condições normais, a nossa relação com os microorganismos envolvidos no processo da carie é de simbiose. O responsável pela alteração desta condição é o açúcar

.Os microrganismos envolvidos na produção do ácido que leva à desmineralização dos dentes, são habitantes comuns da boca de todas as pessoas. Eles vivem entre si em equilíbrio. Entretanto, diante de um consumo frequente de açúcares (especialmente sacarose), ocorre um desequilíbrio na composição dessa comunidade microbiana com seleção de microrganismos que têm maior capacidade de produzir ácido e sobreviver em meio ácido.

Durante décadas, a espécies acidogênicas, Streptococcus mutans, foram consideradas o principal agente causador da cárie dentária e a maioria dos diagnósticos e estratégias terapêuticos foram direcionados para esse microrganismo. No entanto, recentes estudos baseados no DNA e RNA de lesões cariosas descobriram um ecossistema extraordinariamente diverso, onde o S. mutans , refere-se apenas a uma pequena fração da comunidade bacteriana. Isso apóia o conceito de que colônias formados por vários microorganismos agem coletivamente, provavelmente sinergicamente, para iniciar e expandir a cavidade cariosa. Assim, não se espera que, terapias antimicrobianas, sejam eficazes no tratamento de cárie.

O grande vilão no processo de desenvolvimento de cárie não é o Mutans específicamene; é o açúcar!

Alguns pais me perguntam: meu filho tem os dentes fracos por isso teve cárie? Posso dar cálcio para foratalecer esses dentes? Qual remédio poderia dar para ele não ter mais cáries?

Então vamos lá! Anotem aí “porção mágica”, “remédio”, ou “vacina” contra a cárie!!

Conclusão atual para o combate a cárie:

(1) Escovar os Dentes

(2) Disciplinar o Consumo de Açúcar e

(3) Usar Fluoretos Racionalmente

Segundo os estudiosos é uma simples questão de lógica!

Porque?

  • O acúmulo de bactérias sobre os dentes na forma de biofilme é fator NECESSÁRIO para o desenvolvimento de lesões de cárie, porém NÃO SUFICIENTE:
  • A exposição frequente a açúcares da dieta é o FATOR DETERMINANTE NEGATIVO para o desenvolvimento da doença;
  • As pessoas não são perfeitas para escovarem os dentes e em acréscimo usam produtos açucarados, sendo o fluoreto o FATOR DETERMINANTE POSITIVO para tentar contra-balançar esse desequilíbrio.

Assim, o equilíbrio entre saúde dental e a manifestação da doença cárie (uma doença biofilme-açúcar dependente) DEPENDE não só dos dentes serem escovados diariamente com dentifrício fluoretado, mas principalmente de que a exposição à açúcares da dieta seja restrita ao minimo possível.

Quer saber mais?

Para as mamães e papais que gostariam de saber mais sobre o assunto:

Acompanhe no Facebook também a página do Crescer Sorrindo UERJ e da Aboprev

Afinal, novos conceitos geram novas ações!

Refêrencias:

  1. “Diet and Dental Caries: The Pivotal Role of Free Sugars Reemphasized”, escrito por Sheiham e James e publicado no Journal of Dental Research online em Agosto de 2015.
  2. Solving the etiology of dental caries.Simón-Soro A1, Mira A2. Trends Microbiol. 2015 Feb;23(2):76-82. doi: 10.1016/j.tim.2014.10.010. Epub 2014 Nov 27.
  3. https://www.facebook.com/Aboprev-250256718486428/
  4. https://www.facebook.com/crescersorrindo?fref=ts
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Turminha da Tia Val

imageApresento a vocês:

💗Rosinha,💙Paco e 💛Leleco.

Essa é a turminha aqui da Tia Val! Vou apresentar a história de vida de cada um a vocês. São 3 monstrinhos amigos de infância !! Se conhecem desde que nasceram, e aprontam por aqui viu!! 😂😂😂 mas a gente se diverte muito!

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Meu nome é a Rosinha, sou a menina da turma. Me encantei com o mundo quando coloquei os óculos pela primeira vez!! Foi emocionante ver tudo colorido e desembaçado!

Agora o que está me deixando animada mesmo é minha janelinha… Adoro exibi-la por aí! Não fiquei um charme sem meu dente da frente?

A fada do dente me trouxe um livro de presente. E como o que eu mais gosto de fazer é ler, já estou contando os dias para os outros dentes caírem, porque aí a fada vai trazer a próxima história.

Meus livros são como um baú de idéias para as brincadeiras com os meus amigos. Eu é que coordeno tudo e invento as brincadeiras mais legais! Afinal, alguém tem que controlar os garotos, pra gente se divertir sem fazer muita arte! Não é fácil ser a única menina da turma!

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Eu sou o Paco, o mais velho da turma. Pense num cara “brotherzão”, 👆tá falando com ele. Parece que dentro do meu abraço cabe o mundo. Meus amigos são como irmãos pra mim, sabem que podem contar comigo pro que der e vier! Assim… Mais ou menos.. 😊 É que sou mega desastrado🙈, tenho uma super boa vontade de ajudar. Mas acabo derrubando tudo por onde passo!😁 O bom é que com meu sorrisão, que levo estampado no rosto, alivio qualquer eventual bronca.

Por falar em sorrisão, está aí uma coisa que me orgulho são meus dentes! Podem perguntar pra Tia Val: de quem são os dentes mais brancos, brilhantes e cheirosos daquela turminha ali!? Hein ? Hein?!

E tento inspirar meus amigos a terem um sorriso igual ao meu. Sabiam que fui eu quem ensinou a Rosinha e o Leleco a passar o fio dental!?

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Aqui é Leleco na área pessoal! Sou o amigão mais divertido dessa turma da Tia Val. Pelo menos é o que meus amigos me dizem: que sou muito engraçado. Só me resta acreditar neles 😂😂. Talvez seja porque sempre tenho uma piadinha na ponta da língua pra fazer a galera cair na gargalhada!

Adoro brincadeiras agitadas, correr, pular, gritar, e as vezes fazer uma baguncinha😁 é comigo mesmo!

A Rosinha acha que eu sou meio hiperativo. Mas sabe o que eu acho? Pra mim, é porque ela é muito nerd. Adoro as brincadeiras que ela inventa, só que coloco mais ação!😂 Quando você menos imagina estou pulando nos ombros de alguém com minhas pernas cumpridas!! Ou correndo pelo jardim! Ou saltando da cachoeira de frente do consultório! Alguns dizem que sou um furacão ambulante ( não entendo muito bem o que eles querem dizer com isso!).

Desde que coloquei aparelho o Paco fica no meu pé pra eu melhorar a escovação. A Tia Val já me explicou tudo, agora aprendi. Afinal, quero muito ter um sorrizão igual do Paco.

Muitas novidades!!

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Voltei!

Fiquei um tempinho ausente, mas o motivo foi justo e valeu a pena.

Estava preparando um cantinho novo para meus queridos pacientes, e ficou lindo, lindo!

Então, a Tia Val volta cheia de novidades:

*Casa nova (vou postar aqui algumas fotos de alguns ângulos só para aguçar a curiosidade) pois quero uma visita,

*Site novo : www.tiaval.com (o blog está lá dentro)

*Istagram novo: @tiavaldentista

*Personagens novos ( já …já faço um post com a história de vida de cada um)

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Acabou de apontar o dente permanente e ele parece estar tão amarelo!

Qual é a causa de alguns dentes permanentes nascerem amarelos? O uso de antibióticos pode ser um dos fatores? Há como corrigir?

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Tento explicar para os pais que os dentes permanentes sempre são mais amarelos que os de leite. Isto se deve às características anatômicas do dente,e da quantidade de esmalte e dentina.
E é principalmente, na fase de dentição mista, que é quando a criança apresenta dentes de leite e permanentes ao mesmo tempo na boca, temos a tendência de vê-los mais amarelos, pois iremos compará-los com os de leite.
Além de que o dente permanente jovem, ainda sofrerá uma maturação pós eruptiva, que pode alterar um pouco a coloração do elemento um tempo após sua erupção.

O uso especifico do antibiótico tetraciclina, na fase de calcificação – que vai do quarto mês de vida intra-uterina até os 6 anos de idade da criança –, causa manchas de difícil tratamento nos dentes. Mas como esta é uma informação bem consolidada, os profissionais de saúde não prescrevem esta medicação nesta fase.
Saiba mais sobre manchamento dos dentes em: Antibióticos prejudicam dentes? Medicamentos mancham os dentes?

O que fazer quando um dente permanente começa a nascer sem que o dente de leite tenha caído?

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É bastante comum, e pode acontecer com seu filho na época do inicio da troca dos dentinhos. Os pais chegam preocupados relatando que, o dente não ficou mole sozinho. E o permanente começou a pontar por trás sem o de leite ter caído.

E agora? Tem que arrancar o de leite? Pode esperar? Mas o dente não vai nascer torto?

Como mostra o video erupção dentária, os dentes permanentes precisam reabsorver as raízes dos dentes de leite para assim erupcionar. Por isso é que os dentinhos ficam moles e caem, dando lugar aos seus sucessores.

Quando estão se formando dentro do osso, os dentes permanentes ficam bem próximos das raízes dos dentes de leite e usam a raiz deles como guia para o processo de erupção.
Mas podem ocorrer casos em que o permanente promova uma reabsorção parcial da raiz do dente decíduo.

 

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Então, o que fazer?

O mais indicado, claro, é procurar a orientação do odontopediatra.

Se os dentes de leite estiverem com bastante mobilidade, podemos aguardar a esfoliação natural deles.

Por outro lado, se o dentes decíduo estiver com pouca mobilidade, prefiro acompanhar radiograficamente. E aí, se percebermos que ele terá dificuldade em esfoliar, então a extração no consultório está indicada.

Obs:nestes casos, é preciso tirar o dente de leite para que ele não sirva de obstáculo e desvie o permanente da posição. Isto acontece com muita freqüência com os incisivos centrais ou laterais inferiores.

Mas e os permanentes, vão ficar tortos ou fora do lugar?

Se houver espaço suficiente para este dente na arcada, o próprio movimento de erupção, e os movimentos da língua durante a fala e a mastigação, se encarregam de “empurrar” esses dentes para o lugar correto.
Agora quando não ha espaço, e observamos uma arcada bem estreita pode ocorrer apinhamento.

Converse com o odontopediatra do seu filho sobre suas dúvidas e faça os acompanhamentos preventivos.

Depois que os dentes de leite caem, em quanto tempo devem nascer os dentes permanentes?


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Normalmente, quando o dente de leite cai naturalmente – que chamamos de exfoliação do dente decíduo, logo o permanete aponta. Pois o que faz o dente de leite iniciar sua mobilidade, é a pressão exercida pelo seu sucessor permanente em direçao a gengiva, causando a reabsorção da raiz deste elemento. Assim, ele não demorara muito a aparecer na boca (média de um mês).
Mas, em alguns casos, pode acontecer do processo ser mais demorado. Isso acontece principalmente com os incisivos laterais superiores e devido à falta de espaço.
Quando a criança tem as arcadas atrésicas e com pouco espaço para receber o dente permanente (que é bem mais largo que o dente de decíduo), o processo eruptivo pode ser bem mais lento. Nestes casos, deve ser avaliada pelo dentista, a necessidade expansão.
Gengivas muito fibrosas também podem dificultar o processo. E por vezes é necessaria a ajuda do dentista com uma incisão no local, afim de expor a coroa do dente permanente e facilitar sua erupção – chamada ulectomia.
E se seu filho perdeu precocemente o dente (por trauma ou por carie) esse processo também muda.
O importante é o acompanhamento do odontopediatra para a avaliação de cada situação.

Restauração Atraumática

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Na intenção de esclarecer algumas dúvidas de pais no consultório, a respeito de restauração nos dentes cariados, resolvi escrever este texto . Vou falar sobre uma das técnicas restauradoras que podemos lançar mão na odontopediatria

 

 

Técnica do ART

 

O Tratamento Restaurador Atraumático chamado de ART, surgiu como alternativa para o controle da doença cárie. E um tratamento restaurador definitivo que se baseia na mínima intervenção. Pois, combina procedimentos preventivos e restauradores.

 O método preconiza que o tratamento de uma lesão cariosa cavitada (de rasa a média) seja feito da seguinte forma: remoção de tecido cariado, amolecido e infectado com auxilio de instrumentos manuais, preenchimento da cavidade com um material chamado C.I.V (que libera flúor)  e isso sob isolamento relativo do campo operatório.

Além deste protocolo, o paciente deve receber orientação completa e individualizada sobre hábitos de dieta higiene. E mesmo após a finalização do tratamento, é necessário que seja dada continuidade aos programas preventivos e de educação em saúde para que os fatores etiológicos da doença sejam controlados.

A relativa simplicidade da técnica, permite o controle da ansiedade em alguns pacientes. Uma vez que, ausência do barulho referente ao motor ( usado na restauração convencional) contribui para um atendimento com menor grau de desconforto, o que favorece a um bom comportamento do paciente durante a realização dos procedimentos clínicos.

Porém, não pode ser utilizada em todos os tipos de cárie: dentes com doença mais avançada, que atinge profundamente a dentina ou a polpa (região onde passam os nervos e vasos sangüíneos do dente) não respondem positivamente ao tratamento e devem ser tratados da maneira convencional.

Desta forma, sobre o ART, podemos concluir que estamos diante de um cenário cientifico positivo, pois os resultados dos últimos estudos sobre o tema afirmam que é possível promover a saúde bucal de maneira simples e eficaz quando bem indicado.

Lembrando que, em termos de cárie, o melhor tratamento é a prevenção: uma boa higiene bucal, com escovações freqüentes e feitas com técnica adequada, visitas regulares ao dentista e redução no consumo de açúcar, guloseimas e biscoitos garantem um sorriso saudável.

 

 

Uso da toxina botulínica em casos de bruxismo do sono em crianças

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Hoje vou compartilhar um post do blog da Dra Juliana Stuginski Barbosa : Por Dentro da Dor Orofacial O blog destinado a especialidade de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, tem excelentes textos elucidativos sobre o tema.
A Dra Juliana entrevistou a Professora Adriana Lira Ortega, e trouxe exclarecimentos sobre o o uso indiscriminado da toxina botulínica, sem critérios, no tratamento de bruxismo do sono em crianças.
Com a palavra, Dra. Adriana:
Ultimamente tenho percebido um avanço no uso da toxina botulínica em crianças e hoje uma colega me perguntou se eu uso e resolvi escrever alguma coisa sobre o assunto, já que ela não foi a primeira a perguntar. Em crianças com distúrbios neuromotores ou neuropsicomotores eu indico sob determinadas condições.
Não aconselho esse emprego em crianças normorreativas porque ainda tenho muitas dúvidas…
1. Já é questionável dizer “tratamento” como muitos dizem: o bruxismo não seria tratado com a aplicação da toxina, uma vez que sua origem é central. Ou seja, o estímulo neurológico para que o músculo contraia continuaria existindo com ou sem a toxina. O que ocorre é a diminuição da contração muscular e, no caso, em masseter e temporal. E os pterigoideos? Não havendo aplicação em pterigoideos, a lateralidade continuaria a existir.
2. Diminuindo a eficiência muscular com a aplicação em masseter e temporal, ainda assim não seria suficiente para evitar o contato e a atrição dos dentes durante o ranger. Se houver diminuição da força muscular a ponto de não haver atrito, também haverá prejuízo na mastigação, o que não é desejável. E se não impede o contato, a placa tem que ser usada pq é o que evita o desgaste da estrutura dental. Ou seja, a toxina não dispensaria o uso da placa.
3. A ação da toxina não é reversível para o neurônio lesado (lembrando que os procedimentos reversíveis são os mais indicados para os pacientes). A contração muscular que volta acontecer é resultado da neuroplasticidade: depois que a liberação da acetilcolina pelo neurônio é bloqueado pela toxina, uma nova junção neuromuscular é formada para suprir a ausência da primeira. Em modelo animal, essa regeneração neuronal é lenta e os autores questionam se não há um limite para essa plasticidade (ROGOZHIN et al., 2008). Levantar essa questão é necessária uma vez que é percebido nos resultados clínicos a longo prazo: aumento do espaço de tempo entre as aplicações.
4. Me preocupa um pouco os resultados a longo prazo. Se o bruxismo é de origem central então seria necessário reaplicações da toxina, uma vez que o paciente não pararia de ranger. A toxina já promove atrofia neurogênica de fibras musculares em uma única aplicação (SCHRODER et al., 2009) e estudo longitudinal com crianças com paralisia cerebral afirma que repetidas aplicações da toxina apresentam resultados funcionais, com diminuição do tônus muscular (TEDROFF et al., 2009). Isso é desejável em crianças com paralisia cerebral porque elas têm o tônus aumentado. Em crianças normorreativas não consigo perceber nenhum benefício nessa diminuição permanente de tônus.
5. Pensando no condicionamento psicológico das crianças para o atendimento odontológico (e isso é muito importante!), como é a aceitação delas em relação ao procedimento?
Alinhada com a conduta da Odontologia baseada em Evidências Científicas e com os conceitos da mínima intervenção não vejo, por hora, motivos plausíveis para indicar injeções de toxina botulínica para crianças com bruxismo do sono.
No entanto, reforço minha postura de flexibilidade para mudar de opinião assim que tiver conhecimento de outros resultados, inferências e conjecturas que, de forma contundente, contradigam meu raciocínio atual.
Referências
Rogozhin AA, Pang KK, Bukharaeva E, Young C, Slater CR. Recovery of mouse neuromuscular junctions from single and repeated injections of botulinum neurotoxin A. J Physiol. 2008;586(13):3163-82.
Schroeder AS, , Ertl-Wagner B, Britsch S et al. Muscle biopsy substantiates long-term MRI alterations one year after a single dose of botulinum toxin injected into the lateral gastrocnemius muscle of healthy volunteers. Mov Disord. 2009;24(10):1494-503.

Tedroff K, Granath F, Forssberg H, Haglund-Akerlind Y. Long-term effects of botulinum toxin A in children with cerebral palsy. Dev Med Child Neurol. 2009;51(2):120-7.

Para quem quiser saber mais sobre bruxismo e DTM segue o blog da Dra Juliana e o post que fiz a um tempo sobre o bruxismo.
Obrigada Dra Juliana e Dr Adriana pela valioso discorer do tema.

Toxina Botulínica e a Odontologia

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A toxina botulínica é produzida pela bactéria Clostridium botulinum Há sete formas distintas de neurotoxina. “Botox” (Allergan, Inc, USA) é o nome comercial da toxina botulílinca do tipo A primeiramente aprovada para uso cosmético e terapêutico, sendo o mais amplamente divulgado muitas vezes é aplicado como sinônimo do procedimento.

A toxina botulínica é uma protease que causa denervação química temporária de músculos esqueléticos por bloqueio da liberação mediada por Ca+2 de acetilcolina das terminações nervosas de neurônios motores, produzindo um enfraquecimento dose-dependente, temporário da atividade muscular tornando os músculos não funcionais sem que haja efeitos sistêmicos.
Entretanto acredita-se que o músculo inicia a formação de novos receptores de acetilcolina. À medida que o axônio terminal começa a formar novos contatos sinápticos, há um reestabelecimento da transmissão neuromuscular e retorno gradual à função muscular completa, geralmente com efeitos colaterais mínimos.

Para entender o que acontece, é preciso lembrar que, entre o músculo e os nervos, há uma placa responsável pela transmissão do estímulo nervoso que produz a contração muscular. A toxina botulínica age nessa placa, dificultando a transmissão do estímulo e levando ao relaxamento da musculatura. É dessa propriedade fisiológica que advém sua utilidade terapêutica. Nos últimos vinte anos, foram apresentados vários trabalhos mostrando que, numa concentração bem baixa, ela pode ser usada para relaxar músculos contraídos, sintoma de patologias como as lesões cerebrais.

Injeções de toxina botulínica são efetivas para diversas desordens clínicas que envolvam atividade muscular involuntária ou aumento do tônus muscular. Estudos recentes sugerem ainda que a toxina botulínica também desempenha um papel no alívio de dor pela inibição da liberação de neuropeptídeos associados ao mecanismo de sensação dolorosa. Além disso, quando aplicada em tecidos glandulares, atua no bloqueio da liberação de secreções. Nesse sentido a BTX apresenta um potencial de emprego na área de atuação do cirurgião-dentista, como em casos de bruxismo, hipertrofia do masseter, disfunções têmporo-mandibulares, sialorréia, assimetria de sorriso, exposição gengival acentuada e, mais recentemente tem sido descrita a utilização profilática para a redução da força muscular dos músculos masseter e temporal em alguns casos de implantodontia de carga imediata.