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Flúor: vilão ou mocinho?

Há tempos venho escrevendo e reescrevendo este post sobre flúor, pois é sempre um tema polêmico, que deve ser muito bem esclarecido para que os pais não fiquem confusos.

As principais dúvidas são: A partir de que idade a criança pode usar fluor? Meu bebê pode aplicar fluor no dentista? E se a criança não souber cuspir? Meu filho engole a pasta, pode? Que pasta devo usar? Fluor faz mal? O que é fluorose? ….. E por aí vai!

Desta forma, pesquisei vários artigos, e destaquei abaixo algumas informações relevantes sobre o tema para facilitar o entendimento. Sei que ficou um pouco extenso, mas vale a leitura para os papais mais curiosos sobre o tema.

Nos últimos anos, diversas pesquisas desmistificaram vários medos sobre o flúor e elucidaram quando e como deve ser indicado o uso dos fluoretos. E assim, odontopediatras e pediatras, estamos revendo nosssas recomendações e individualizando as indicações.

  • A partir do momento em que os dentes irrompem, eles já podem receber os benefícios do contato com o flúor, mas cabe ao Odontopediatra recomendar e definir a melhor maneira de utilizá-lo (momento para iniciar, tipo, freqüência, etc.).
  • Os veículos mais comumente utilizados para a aplicaçãodos fluoretos nas superfícies dentais são os dentifrícios com flúor em casa, e em forma de gel, espuma ou verniz, estes três últimos utilizados apenas no consultório odontológico, pelo profissional.
  • A Associação Brasileira de Odontopediatria não recomenda a suplementação de fluoretos, ou seja, a ingestão de medicamentos que o contenham.
  • O uso do dentifrício fluoretado é recomendado como um procedimento preventivo básico para todas as crianças a partir do momento que se introduz a escova dental (com a erupção dos primeiros molares decíduos) na quantidade e freqüência determinada pelo profissional, de acordo com as necessidades individuais da criança.
  • Nos casos em que o dentifrício fluoretado é recomendado, orientações devem ser recebidas quanto à quantidade de pasta dental a ser colocada na escova, que não deve exceder ao tamanho de um grão de arroz cru, a freqüência de escovação e quem deverá fazer a limpeza. Procure as orientações com um (a) Odontopediatra.

quant pasta 2

Ilustração da quantidade de pasta recomendada de acordo com a idade. Uma pequena quantidade, do tamanho de um grão de arroz, deve ser usada da erupção até aos 3 anos. Depois de 3 anos de idade, uma quantidade do tamanho de uma ervilha.

  • Os pais devem colocar a pasta fluoretada na escova e não as crianças sozinhas, pois elas acabam exagerando.

pasta e criança

  • É recomendo o diagnóstico individualizado do risco e da atividade de cárie do paciente para determinar o uso de produtos que contêm fluoreto.

Risco e atividade de carie

Uma grande mudança trazida pela Odontologia de Promoção de Saúde foi a substituição do tratamento odontológico padronizado, em que todos os indivíduos recebiam a mesma atenção preventiva, por uma Odontologia baseada no diagnóstico individual do risco e da atividade de cárie

A avaliação do risco de cárie é a determinação da probabilidade da incidência da doença (ex: número de novas lesões incipientes ou cavitadas) durante certo período de tempo. As estratégias utilizadas para o controle da cárie dentária têm demonstrado a necessidade da realização das avaliações de risco e da atividade da doença

  • O uso do creme dental fluoretado deve ser recomendado como um procedimento preventivo básico. Esta recomendação é restrita e definida pelo profissional.Como a ingestão de pasta dental com flúor carrega um risco aumentado de fluorose, este risco deve ser pesado em relação ao benefício da prevenção da cárie.
  • Situações de alto risco de cárie (por exemplo, crianças com aparelhos ortodônticos aparelhos protéticos, com função salivar reduzida, que são incapazes de limpar corretamente os dentes, em risco dietético, com mães ou irmãos com cárie, ou com elevados níveis de bactérias cariogênicas) ou presença de atividade de cárie devem ser consideradas para que a terapia adicional de flúor seja prescrita para crianças.
  • Tratamentos profissionais freqüentes com flúor podem ser indicados quando o paciente se encontra com risco aumentado para a cárie ou quando não pode colaborar com a terapia caseira de fluoreto.
  • Em relação ao momento em que é realizada a escovação, sabe-se que a absorção do F solúvel no trato gastrointestinal é modulada pelo pH gástrico e que, quanto menor o pH, maior a absorção. Logo, a absorção do F solúvel ingerido pode ser reduzida se a escovação for realizada 15min após uma refeição.
  • A Associação Brasileira de Odontopediatria esclarece que “usando-se uma pequena quantidade de dentifrício de concentração de F convencional (1000-1100 ppm F), a quantidade de F ingerida é segura em termos de fluorose dental e o benefício anticárie é mantido”.

Referências:

  1. Noronha JC, Myaki SI, Paiva SM. Utilização dos Fluoretos In: Associação Brasileira de Odontopediatria. Manual de Referências para Procedimentos Clínicos em Odontopediatra, 2009. p. 95-100. http://www.abodontopediatria.org.br
  2. Departamento de Atenção Básica. Secretaria de Atenção Básica. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica n°17, 92p. Brasília. 2006
  3. American Academy of Pediatric Dentistry. Policy on use of a caries-risk assessment tool (CAT) for infants, children, and adolescents. Pediatr Dent 2003;25(suppl): 18-20.
  4. American Academy of Pediatric Dentistry. Clinical guideline on fluoride therapy. Pediatr Dent 2003; 25(suppl):67-68.
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